ESCÂNDALO REPUGNANTE EM NASHIK

Charlatão Sexual Explora Mulheres e Expõe Hipocrisia nas Instituições de Defesa Feminina

Por: O Verbalyzador

Num caso que revolta qualquer pessoa com mínimo senso de justiça, Ashok Kharat, autoproclamado “astrólogo” e “godman” conhecido como “Captain” em Nashik, na Índia, foi preso acusado de violar e chantagear dezenas de mulheres. A polícia encontrou 58 vídeos obscenos gravados com câmaras ocultas, envolvendo cerca de 58 vítimas diferentes. 

O método era clássico de explorador: atraía mulheres desesperadas com promessas de resolver problemas conjugais ou pessoais, drogava-as durante “rituais”, hipnotizava-as, agredia-as sexualmente e depois ameaçava-as com maldições ou morte de familiares para as silenciar. 

Já surgiram novas denúncias, inclusive contra grávidas. 

Este não é um caso isolado de abuso. É exploração sistemática que se aproveita da credulidade e do desespero de mulheres vulneráveis. Kharat, ex-oficial da Marinha Mercante, construiu um império de superstição que lhe rendeu milhões, com ligações a figuras influentes. Agora, a prisão e a formação de uma equipa especial de investigação (SIT) são o mínimo exigível para que a justiça seja feita.

O que torna este escândalo ainda mais nojento é o envolvimento de quem deveria proteger as vítimas. Rupali Chakankar, presidente da Comissão Estadual de Mulheres de Maharashtra e líder do NCP, viu-se obrigada a renunciar no dia 20 de março de 2026. A razão? Vídeos e fotos antigos dela com Kharat vieram a público, incluindo um em que ela lava os pés dele num ritual de devoção. O chefe de governo Devendra Fadnavis exigiu a demissão “por razões morais”.

Independentemente de ela alegar que “não sabia” do lado obscuro dele ou que o vídeo tem vários anos, a renúncia era inevitável e correcta. Quem ocupa um cargo público de defesa dos direitos das mulheres não pode aparecer publicamente a prestar homenagem a um homem agora acusado de violar dezenas de mulheres. A credibilidade da Comissão fica destruída. Como é que uma mulher vítima de violência doméstica ou assédio vai confiar numa instituição cujo rosto principal tinha essa associação? A demissão não é “perseguição política” — é accountability mínima.

Este caso expõe problemas profundos que vão muito além de Nashik: A persistência da superstição e dos “godmen” no século XXI. Muita gente continua a preferir pagar por rituais, pedras “energizadas” ou promessas falsas em vez de procurar ajuda real — terapia, polícia ou justiça.

A facilidade com que charlatães ganham influência e ligações com elites políticas e sociais.

A hipocrisia que muitas vezes acompanha quem grita mais alto em defesa das mulheres, mas depois se vê envolvido em escândalos que minam toda a causa.

As vítimas merecem justiça rápida e completa: punição severa para Kharat, destruição de todos os vídeos e apoio psicológico e legal adequado. A Comissão de Mulheres precisa urgentemente de recuperar credibilidade com gente que realmente defenda as mulheres, não com quem aparece em rituais com o alegado agressor.

É revoltante, sim. Mas pelo menos o escândalo veio à tona, a prisão aconteceu e a renúncia ocorreu. Resta agora acompanhar se a investigação vai até ao fim ou se, como acontece tantas vezes nestes casos, tudo vai ser abafado.A sociedade precisa de menos superstição cega e mais responsabilidade. Quem se diz protector das mulheres tem de ser o primeiro a dar o exemplo — ou então sair de cena.

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